Aprendendo a gostar das reticências…

Não conversei com meu professor-orientador-amigo de quem eu sou fã sobre isto, mas, na minha cabecinha nem sempre tão boa das ideias, as reticências revelam-se bem levinasianas.  Elas nos escapam e ajudam a ir além, tomados pelo Rosto. Não dá para dizer o que são. Porque elas não são.

Ponto final, exclamação, interrogação, é tudo tão categórico! Até uma vírgula às vezes pode ser opressora, já diria quem sofre para usá-la e se perde nas regras.

Mas as reticências, assim como o gerúndio, fazem a gente não parar na primeira impressão, não tomar conclusões precipitadas e sobretudo continuar; seguir em frente, sem definição nem enquadramentos.

Não sei se elas ouviram falar do sábio filósofo da alteridade; mas talvez tenham contemplado com Rubem Alves a gota de orvalho na folha de couve…

Reticências nos dão tempo e espaço para – quem sabe… – nos deixar encontrar.

Olha procês verem: elas nos dão pausa…

….para uma xícara de café…

… para uma música…

… para mais uma cena…

… quem sabe até um filme completo…

Elas permitem ver, se dar conta, enxergar as marcas do Rosto do outro…

Permitem o olhar…

O sorriso… ou mesmo a lágrima…

Elas me permitem narrar sem definir…

Permitem….

Por isso, neste momento, a elas agradeço

e delas afirmo com muitas exclamações: curtooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

(Escrito em 26/11/2019, em meio a recentes memórias)

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