Príncipe pai

Hoje eu vi os seus filhos.

Loirinhos… lindos!

Até podiam ser meus!

É tão bonito contemplar um sonho realizado!

Mais de 20 anos depois…

Não há tempo para isso; não é Chronos quem manda aqui.

E eu com tanto medo dele!

Sim, não deixa de ser real…

Mas guiam mais outros deuses,

esses que fizeram uma semente cada vez mais rara

brotar no seu coração adolescente, permanecer e germinar.

Só desejo o bem para você, seus rebentos e aquela que teve a sorte de encontrá-lo na madurez.

Você marcou alguns ciclos na minha vida, importantes fases de mudança,

relacionadas ou não a você, mas seladas por sua presença.

Agora, pela terceira década seguida,

porei os pés na sua cidade.

Desta vez não tem absolutamente a ver com você

e não o verei, a não ser que a vida nos pregue uma peça,

que não busco, nem buscarei.

Desejo, sim, uma transformação,

que mais uma vez seja o início de uma nova fase.

E nesse sentido suas últimas palavras presenciais

bradam quais tambores de guerra,

a guerra da paz.

São quase que meu único farol

em meio à neblina desta ponte

que preciso, por questão de vida ou morte,

terminar de atravessar –

mesmo sem ver.

Da última vez eu não o reconheci;

mas agora reconheço.

É chegada a hora da síntese!

Peça aos seus deuses,

esses que lhe deram rumo e prumo,

acompanhar minha travessia,

para que a vida que brilha à frente,

não atrás,

encontre em mim seu merecido espaço

para a construção de um lar.

Eu…

sou grata!

(Escrito em 13/08/2019, três dias antes de voar a Brasília)

2 comentários em “Príncipe pai”

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