Filho

Cadê você, que veio me visitar no Natal,

cada vez tão mais dentro de mim,

tão mais declarado e descarado!

Já era um natal que me anunciava.

Nós dois estamos nascendo nessa nova relação.

Mas por que você não me disse desde a primeira vez

em que caímos um nos braços do outro,

sem sequer imaginar que já era esse desejo de nascer

que se fazia presente?

Talvez você já estivesse me dizendo, né?

Mas eu não tinha nenhuma capacidade de ouvir.

Agora olho em nossos brilhos nos olhos nessa foto

e vejo que já estava tudo dito aí.

De alguma forma, já éramos mãe e filho.

Não sabíamos que laço tão forte havia nos unido,

mas você veio me visitar no último Natal

e me revelar, fazendo já nascer esse desejo

tão reprimido e adormecido

que nunca tinha se feito consciente antes.

Eu te amo, meu filho!

Obrigada por me gerar,

por me fazer nascer

como mulher, como mãe,

nunca antes experimentado,

nunca dessa forma.

Obrigada por resgatar meu útero,

por deixá-lo em evidência pra que possa se expressar

e trocar o “f” de ferida pelo de fruto.

Quero dar fruto na vida,

como é natural, é instintivo, é arquetípico.

As dores e esforços do momento presente,

sobretudo as renúncias pra crescer,

ganham todo sentido pela sua vida,

só de olhar pra você e acolher o seu natal.

Não tenho ideia de como ele será,

só sei que o seu abraço é a melhor coisa do mundo,

meu filho.

(Escrito em 13/07/2018)

4 comentários em “Filho”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s