Do abismo

Trouxeste-me ao abismo,

e agora eu só quero viver aqui.

Aqui é meu lugar,

sinto-me em casa.

 

Do profundo da tua casa,

do teu abismo,

consigo compreender que viver aqui é a vida verdadeira

e, de fato, morrer é lucro.

 

Passamos a vida de superfície em superfície,

agarrados a qualquer coisa por medo.

Em última instância, escravos por medo da morte.

 

Perdemos tanto tempo buscando na superfície

o que está mais alto que nós mesmos

e mais fundo que nós mesmos,

já dizia Agostinho.

 

Por que só por pequenos momentos estou em casa?

Encontro uma sede tão profunda e uma saudade tão imensa

quando chego aqui, neste abismo.

Vertem-me as lágrimas,

o coração pula, como se há muito buscasse esse lugar.

 

Estou cercada de pessoas primárias!

Mas de que vale ser secundário ou terciário

se apenas a eficácia aumenta no requinte –

requinte de crueldade, de luxo, de ilusão…

 

Chamam-me anjo.

Coloque o “3” em ambientes

em que a bondade e o afeto são a principal imagem

e terá um plano infalível.

 

Mas em Ti encontro-me no mais profundo.

No teu abismo me vejo abissal.

Quero viver aqui, e daqui ir ao outro,

trocar o requinte pela verdade

e a ilusão pela profundidade.

 

Agora, a gratidão.

Gratidão por tocar o abismo,

sentir o seu chamado.

 

(30/05/2017, na oração do dia)

4 comentários em “Do abismo”

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